Vila Nova da Barquinha: Roteiro do GIRO
O encanto de Vila Nova da Barquinha: O roteiro do GIRO
Vila Nova da Barquinha, mas pelos olhos do GIRO foi apaixonar-me por ela. Há terras especiais e esta é, garanto-vos, uma dessas.
O programa GIRO, da Record Europa, dedicou um episódio inteiro a esta vila ribeirinha do Ribatejo – “O encanto de Vila Nova da Barquinha” (E7, 22 de junho de 2026) – e nós não resistimos a seguir o roteiro, passo a passo. Pequena no mapa, enorme na história, com o Rio Tejo a correr-lhe ao lado como quem guarda um segredo, esta é daquelas descobertas que apetece partilhar com toda a gente. Do passado místico dos templários à paz de um barco solar (com supresas!), do castelo mais cinematográfico de Portugal à mesa que sabe a Tejo, este é o melhor de Vila Nova da Barquinha num só dia.
📺 Veja a reportagem completa: GIRO — O encanto de Vila Nova da Barquinha (Record Europa)
Onde fica Vila Nova da Barquinha
Plantada no centro de Portugal, no distrito de Santarém, Vila Nova da Barquinha é uma vila ribeirinha do Médio Tejo onde o dinamismo do presente convive com séculos de história. E se há coisa que se sente mal se põe o pé cá, é isto: a pressa dá lugar à contemplação e cada esquina guarda um segredo antigo. É uma comunidade que preserva a sua identidade com orgulho – e que, a pouco mais de uma hora de Lisboa, oferece a quem chega muito mais do que se adivinha. O concelho cabe num dia, mas fica connosco muito depois.

Centro de Interpretação Templário de Almourol: a viagem começa em terra
Como no GIRO, a minha viagem começou em terra, no Centro de Interpretação Templário de Almourol, no coração da vila. Mais do que um museu, é o ponto de partida para uma verdadeira viagem no tempo, onde a história da Barquinha se cruza com o mito dos Cavaleiros Templários.
Fundada no século XII na sequência das Cruzadas, a Ordem dos Templários reunia monges e soldados – uma elite militar temida nos campos de batalha e poderosíssima na construção e edificação do nosso território. Em Portugal, foram grandes aliados de D. Afonso Henriques na Reconquista, garantindo a defesa da linha do Tejo e utilizando esta vantagem estrategica natural para a edificação de vários castelos, Almourol entre eles. Aqui decifram-se símbolos e códigos de uma história que, séculos depois, ainda não foi totalmente desvendada. E houve um momento que não vou esquecer: pegar num escudo de cavaleiro e sentir, no braço, o peso de quem defendia estas margens. Curiosidade que fica: a célebre Cruz vermelha da Ordem viria, mais tarde, a marcar as velas das caravelas portuguesas.
O passeio num barco solar: a forma mais bonita de chegar a Almourol
Do cais junto a Tancos, vila de onde partem, todos os dias, o barcos que vai fazer a ligação a ilha de Almourol – 20 minutos a descer, cerca de 15 minutos na volta, a favor da corrente, tempo de sobra para encher os olhos. Mas a forma como o GIRO fez a travessia é a que vos recomendo de coração: a bordo de um barco solar da TRITEJO, movido inteiramente a energia do sol.
Sem motores convencionais, o que se ouve é o silêncio – só interrompido pelo bater da água e pelos pássaros. É quase impossível não ficar comovido. Durante séculos, o Tejo foi a grande autoestrada de Portugal: por aqui passavam as mercadorias do reino, o peixe que alimentava as populações ribeirinhas e os soldados que defendiam as fronteiras. Hoje o ritmo mudou e o rio vive sobretudo do lazer, do turismo e do desporto, mas continua a ser a alma e o orgulho desta região. Deslizar sobre ele em silêncio, com o castelo a crescer ao fundo, foi – e digo-o sem exagero, um dos momentos mais bonitos da viagem.

Epic Sunset @Almourol
Castelo de Almourol: 855 anos no meio do Tejo

E então chega-se a Almourol e fica-se sem palavras. Um gigante de pedra a meio de uma ilha, no meio do Tejo, que parece saído de um livro de contos de fadas. É um dos castelos mais bonitos e cinematográficos de Portugal e também um dos mais bem conservados, em parte porque o rio, durante séculos, foi o melhor dos obstáculos a quem o quisesse alcançar.
A fortaleza que hoje vemos nasceu sob a liderança de D. Gualdim Pais, grão-mestre dos Templários em Portugal, que aqui aplicou os conhecimentos de arquitetura militar mais avançados da época. As suas nove torres circulares e a imponente torre de menagem faziam dela uma das fortalezas mais fortes do reino. Reparei num pormenor genial: como o objetivo era exclusivamente a defesa, a porta de entrada ficava no alto. Romanos, visigodos, mouros e templários – todos passaram por aqui e todos deixaram marcas.
Mas Almourol não vive só de estratégias de guerra, e esta foi a parte que mais me encantou. Isolado nas águas do Tejo, tornou-se cenário de mitos e lendas de amor que atravessaram gerações: reza a tradição que aqui foram acolhidas as princesas Polinarda e Miraguarda, confesso, senti-me um bocadinho princesa também. Monumento nacional há mais de um século e hoje finalista das Novas 7 Maravilhas de Portugal, esta sentinela de pedra celebra, em 2026, 855 anos a desafiar o tempo.
Igreja de Nossa Senhora da Atalaia: a joia escondida que faz 100 anos
De regresso a terra firme, percebi que o concelho ainda guardava surpresas. A Igreja de Nossa Senhora da Atalaia, também com título de Monumento Nacional, foi uma delas. Mandada erguer no século XVI por D. Pedro de Castro, primeiro Conde de Monsanto, reflete o poder e a sofisticação da nobreza da época. O seu portal principal é uma obra-prima da transição do Manuelino para o Renascimento, esculpido com uma riqueza de detalhe que sobreviveu intacta ao longo dos séculos.
Se a fachada impressiona, o interior cortou-me a respiração: murais de azulejos azuis e amarelos revestem quase a totalidade das paredes. Atribuída a João de Castilho – o mesmo mestre do Convento de Cristo, em Tomar, muitos acreditam que terá sido um ensaio técnico antes daquela obra grandiosa. Classificada como Monumento Nacional desde 1926, esta joia renascentista celebra agora o seu centenário: cem anos de proteção oficial a um património que surpreende quem se desvia dos roteiros mais conhecidos.
Comer à beira-Tejo: a gastronomia ribatejana
Não se conhece a Barquinha sem se sentar à mesa – e foi aqui que o coração (e o estômago) ficaram completamente rendidos. Há meio século que a Adélia escolheu esta vila para viver e há mais de duas para a encher de sabor. Entrar na Tasquinha da Adélia é sentir o verdadeiro aconchego ribatejano: ovos com farinheira, uma tábua de queijos e enchidos, chouriço assado de chorar por mais e, nos pratos principais, o conforto do frango com esparguete e a estrela da casa – petinga frita com arroz de feijão malandrinho. Para fechar, pudim de ovos e uma tigelada divina.
Já o Restaurante Stop foi uma surpresa às margens da boa cozinha: salada de polvo fresquíssima, a combinação certeira de queijos, enchidos e compotas, guias fritas crocantes, lombinhos de fataça com açorda de ovas e um arroz de bacalhau com farinheira e ovo escalfado, tudo regado com os melhores vinhos da região. A doçaria conventual – pão-de-rala e encharcada de ovos – fechou uma viagem de puro sabor. E estes sabores do rio ganham, em junho, festa própria na Feira do Tejo – mais um motivo para voltar.

RESTAURANTES EM VILA NOVA DA BARQUINHA
Arte urbana: quando o betão ganha rosto
O que mais me surpreendeu é que esta vila de história antiga é também um ponto de encontro para a criatividade, casando a herança das artes tradicionais com a irreverência da arte contemporânea. O exemplo maior é o imponente mural do consagrado artista Vhils, esculpido diretamente na parede pela sua inconfundível técnica de “destruição criativa”: um rosto que humaniza o betão e que me obrigou a parar e a pensar na memória, no tempo e nas gentes que dão vida a esta terra.
Onde dormir em Vila Nova da Barquinha
Para viver o concelho com tempo, o melhor é ficar no centro de tudo. A estadia pode dividir-se entre dois ambientes que se complementam: na River House, um espaço moderno e criativo, com quartos onde o conforto se cruza com a arte; na Nature House, o foco vai todo para o relaxamento, numa simbiose entre modernidade e bem-estar. Servem a dois, em família ou com amigos e o pequeno-almoço, fresco e generoso, deu-me a energia certa para começar o dia a explorar.
A oferta turística do concelho num só dia
Se ainda tinham dúvidas, aqui fica o resumo do que descobri: num só concelho cabe o património (o Castelo de Almourol, a Igreja da Atalaia, o Centro Templário), o rio e a natureza (os passeios de barco e a magia do barco solar), a gastronomia ribeirinha, a arte urbana e alojamento de charme para ficar mais do que um dia. Vila Nova da Barquinha tem, honestamente, tudo para encantar – tal como o GIRO.
Planeie a sua visita ao Castelo de Almourol
Horário de Inverno (até fevereiro): 10h00 – 17h30, todos os dias. Horário de Verão (março a setembro): 10h00 – 18h30, todos os dias.
A visita inclui o passeio de barco e a entrada no interior do castelo, com partida do cais de embarque em Tancos. Tem marcação obrigatória, dura cerca de 1h45 e custa 10€ por pessoa. Não são permitidos animais de estimação.
🌐 welcome-to.pt/castelo-de-almourol 📞 +351 927 228 354 📧 posto.turismo@welcome-to.pt
Estado do monumento atualizado diariamente em welcome-to.pt/castelo-de-almourol-aberto-ou-fechado. Mais informação sobre a vila no portal da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha. Reportagem “O encanto de Vila Nova da Barquinha”, do programa GIRO, da Record Europa.
Vale a pena? Vale cada minuto
Vila Nova da Barquinha é daqueles segredos bem guardados de Portugal – e depois de a viver pelos olhos do GIRO, só vos posso dizer uma coisa: vão. Junta num só dia o silêncio de um barco solar, a história de uma das ordens mais misteriosas da humanidade, um castelo a meio do rio e uma mesa que sabe a Tejo. Reserve o vosso passeio a Almourol, levem apetite e deixem a pressa em casa. Esta é uma vila para se sentir, não para se atravessar e, acreditem, vai ficar no coração.

Welcome-to Vila Nova da Barquinha


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