Património Mundial da UNESCO · Tomar
Convento de Cristo
A capital dos Templários em Portugal: nove séculos de pedra, da Charola à Janela do Capítulo.
A história
900 Anos de História
Há lugares que se visitam e lugares que se atravessam como quem atravessa séculos. O Convento de Cristo é dos segundos. No alto de Tomar, dentro da mesma muralha, cabem o castelo que os Templários ergueram em 1160, a rotunda onde os cavaleiros ouviam missa a cavalo, segundo a lenda, e a janela mais fotografada do Manuelino. Nós classificamo-lo como paragem obrigatória de qualquer rota templária, a par do Castelo de Almourol.
Tudo começa com um castelo. Em 1160, o Mestre provincial da Ordem do Templo em Portugal escolhe esta colina sobre o rio Nabão para levantar a mais importante praça-forte templária do reino: vila murada, alcáçova e, ali ao lado, a Charola, o oratório de planta redonda inspirado nos santuários de Jerusalém, erguido ainda no século XII.
Quando a Ordem do Templo é extinta na Europa, no início do século XIV, Portugal faz diferente: D. Dinis cria em 1319 a Ordem de Cristo, que herda os castelos, os bens e a sede em Tomar. É essa herança que o Infante D. Henrique vai pôr ao serviço dos Descobrimentos, e é a cruz desta casa que segue pintada nas velas das caravelas.
Depois vem o esplendor: D. Manuel I manda erguer a igreja nova e o coro, e o estaleiro manuelino deixa aqui a célebre Janela do Capítulo, com as suas cordas, corais e esfera armilar esculpidas na pedra. D. João III transforma o convento em clausura e acrescenta os claustros renascentistas. No fim do século XVI chega o Aqueduto de Pegões, seis quilómetros de arcos a trazer água ao convento. Em 1834, com a extinção das ordens religiosas, fecha-se o ciclo monástico. Em 1983, abre-se o ciclo mundial.
Ver por dentro
O convento em movimento
Um minuto pela pedraAntes de subir a colina, veja o que o espera: a rotunda, os claustros e a janela que fez escola. Depois, leia quem levantou tudo isto.
O fundador
Gualdim Pais, o Mestre que ergueu Tomar
Se esta colina tem um nome, é o dele. Gualdim Pais nasceu perto de Braga por volta de 1118, o mesmo tempo em que, em Jerusalém, nascia a Ordem do Templo. Combateu ao lado de D. Afonso Henriques, passou anos na Terra Santa como cavaleiro templário e voltou a Portugal como Mestre da Ordem. Foi ele que fundou Tomar em 1160 e ele que reconstruiu Almourol em 1171, como ainda hoje se lê na inscrição sobre a porta do castelo da ilha.
Em 1190, já velho, teve a sua prova de fogo: o califa almóada al-Mansur cercou Tomar com um exército enorme, e o Mestre defendeu a fortaleza até o cerco quebrar. Quando estiver no castelo, olhe para o vale do Tejo: todas as fortalezas que vê nesta rota saíram do estaleiro do mesmo homem.
De fortaleza em fortaleza
A Rota do Mestre
Tomar
1160 · Está aquiA sede da Ordem em Portugal. Castelo, Charola e convento.
Quinta da Cardiga
1169 · ~25 minDoada aos Templários por D. Afonso Henriques, à beira do Tejo.
Almourol
1171 · ~25 minA sentinela do Tejo, reconstruída numa ilha no meio do rio.
Pombal
séc. XII · ~40 min · em breveO castelo que guardava o caminho entre Coimbra e Tomar.
Monsanto
séc. XII · ~1h45 · em breveO ninho de águia da fronteira, sobre a aldeia de granito.
Idanha-a-Velha
séc. XII · ~1h40 · em breveA torre templária erguida sobre ruínas romanas.
900 anos em dez paragens
Linha do tempo templária
Nasce a Ordem do Templo
Nove cavaleiros juram proteger os peregrinos da Terra Santa. Nasce a ordem militar mais famosa da história.
Gualdim Pais funda Tomar
1 de março. A data ficou tão ligada à cidade que é até hoje o feriado municipal.
Almourol renasce numa ilha
O mesmo Mestre reconstrói a sentinela do Tejo. A inscrição ainda está sobre a porta do castelo.
Tomar resiste a al-Mansur
O califa almóada cerca a fortaleza. Gualdim Pais, com mais de setenta anos, aguenta até o cerco quebrar.
A Ordem do Templo é extinta
Perseguidos em França e dissolvidos pelo Papa. Em Portugal, a história vai ter outro final.
D. Dinis cria a Ordem de Cristo
Bens, castelos e homens dos Templários portugueses renascem sob nova ordem, com sede em Tomar.
O Infante D. Henrique assume a Ordem
As rendas financiam as navegações. A cruz de Tomar segue pintada nas velas das caravelas.
A Janela do Capítulo
Cordas, corais e a esfera armilar esculpidas na pedra. O ícone do Manuelino.
Os grandes claustros
D. João III faz do convento uma clausura; ergue-se o claustro renascentista com o seu nome.
Património Mundial
Cento e cinquenta anos depois do fim das ordens religiosas, a UNESCO inscreve o Convento de Cristo na lista.
O essencial
O que não pode perder

A Charola
O oratório redondo dos Templários, século XII, inspirado no Santo Sepulcro de Jerusalém. Por dentro, um cofre de talha, pintura e ouro.

Janela do Capítulo
A obra-prima manuelina: cordas, corais e esfera armilar em pedra.

Claustro de D. João III
Renascimento puro, dos mais elogiados da Europa.

Castelo e muralhas
A fortaleza de 1160 e a vista sobre Tomar e o vale do Nabão.
Como chegar
Onde fica e como subir
Planear a visita
Horários, bilhetes e visitas guiadas
- Jun – Set 09h00 às 18h30, última entrada às 18h00
- Out – Mai 09h00 às 17h30, última entrada às 17h00
- Encerrado 1 de janeiro, 1 de março, Domingo de Páscoa, 1 de maio, 24 e 25 de dezembro
- Individual 6,00 €
- Grátis Domingos e feriados até às 14h00 para residentes em Portugal; crianças até aos 12 anos
- 50% Maiores de 65, Cartão de Estudante, Cartão Jovem, Família Numerosa e Bilhete Família
- Grupos 60 € por grupo até 30 pessoas, em horário de funcionamento, com marcação prévia; grupos sénior têm 50% de desconto
- Noturnas 25 € por pessoa, grupos de 20 a 30, após as 21h00 no verão e as 19h00 no inverno
- Escolas Gratuitas para visitas de estudo com credencial e marcação prévia
Visita virtual
Entrar na Charola
A rotunda templária é o coração do monumento. Enquanto não vai lá em pessoa, entre pelo ecrã: explore o interior em 360º, gire, aproxime, perca-se um bocadinho.
A poucos minutos
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