
Capital dos Cavalos de Portugal
Golegã
A Golegã não é apenas uma vila qualquer no distrito de Santarém. É a capital nacional do cavalo. Com cerca de 5 400 habitantes, famosa pela Feira Nacional do Cavalo, que ocorre anualmente durante o mês de novembro, esta pequena localidade concentra numa área de 84,32 km² uma densidade impressionante de atrações turísticas.
A Feira Nacional do Cavalo, Feira Internacional do Cavalo Lusitano e Feira de São Martinho transformam completamente a vila todos os anos. Durante 11 dias em novembro, os visitantes multiplicam-se por dez. Hotéis esgotam. Restaurantes trabalham a dobrar. As ruas enchem-se de cavaleiros, turistas e comerciantes vindos de toda a Europa para festejar na capital do cavalos.
Mas a Golegã funciona o ano inteiro. Terra com grande tradição equestre, a Golegã é uma vila pequena mas não faltam pontos de interesse, a começar nas suas casas brancas com os frisos amarelos. Quem caminha pelas ruas principais nota imediatamente as placas de ferro com cavalos que identificam cada estabelecimento comercial e adornam as próprias ruas. Esta identidade visual não é acidental.
A Casa-Estúdio Carlos Relvas representa um dos tesouros menos conhecidos da vila. Carlos Relvas, pioneiro da fotografia em Portugal, construiu aqui no século XIX um dos primeiros estúdios fotográficos do país. As suas fotografias documentaram a sociedade portuguesa da época com um rigor técnico notável.
A poucos quilómetros do centro, a Reserva Natural do Paul do Boquilobo, na confluência dos rios Tejo e Almonda, oferece um contraste total com a agitação equestre. Aqui, a observação de aves torna-se o foco principal. Garças, patos-reais, e dezenas de outras espécies migratórias utilizam esta área húmida como ponto de paragem essencial. Os percursos pedestres estão bem sinalizados, mas requerem calçado adequado especialmente nos meses mais húmidos.
É um lugar cheio de tradições, muito conhecida pela Feira Internacional do Cavalo Lusitano, mas tem outros pontos de interesse insuspeitos. A Quinta da Cardiga, doada por D. Afonso Henriques à Ordem dos Templários e sendo coloquial ao Castelo de Almourol. Após a extinção da ordem, a propriedade passou para a Ordem de Cristo, que construiu uma quinta dedicada a agricultura. O complexo arquitetônico, atribuído ao arquiteto João de Castilho, inclui a casa nobre, uma capela de Pórtico Manuelino, uma Torre medieval e uma série de edifícios com funções agrícolas e industriais.
A gastronomia local reflete esta ligação territorial. As fataças do Tejo, apanhadas nas margens próximas, aparecem em quase todos os restaurantes. A chanfana, prato tradicional da região, ganha aqui preparações particulares que incluem ervas aromáticas cultivadas nos campos circundantes.





